domingo, 30 de setembro de 2012

qualidade da programação X competências cognitivas e intelectuais da audiência


A discussão sobre a falta de qualidade dos programas vespertinos na televisão brasileira (programas que têm similares em quase todas as televisões do mundo) deixa-me aborrecida pelo excesso de lugares comuns e quase nenhum avanço reflexivo sobre o tema. O problema parece ser o conteúdo dos programas. Para  alguns os conteúdos oferecidos não correspondem de fato ao que a população gostaria de ver, a programação é de mau gosto, mas a população teria gostos mais refinados. Para outros sujeitos envolvidos nesta discussão,  a programação é exatamente aquilo que a população deseja ver, uma programação de baixa qualidade para uma população medíocre. Para começar, imagino que valha tanto a pena discutir se a programação é baixa qualidade (tentando abranger a complexidade do termo), quanto se poderíamos apenas supor que a população é medíocre ou de bom gosto e mal atendida. Além disso, não podemos esquecer que em cidades como São Paulo o índice de audiência é medido minuto a minuto. Isso significa que qualquer conteúdo colocado no ar tem em um minuto o veredicto da audiência, queremos ver isso ou não queremos ver isso. Definitivamente a população quer ver o que tem sido exibido nestes programas vespertinos, que fazem não mais que tentar dar a população o que ela deseja. É por isso, que em alguns programas vemos atrações anunciadas entrarem e saírem de cena em alguns minutos com apresentadores dizendo "Obrigada por sua participação, foi muito bom ter você aqui, esperamos ter você novamente aqui em breve" e "tchau"! Acho temeroso que as discussões sobre a qualidade da programação X competências cognitivas e intelectuais da audiência reduza os conteúdos a duas categorias: culturais e não culturais, ou em outras palavras, eruditas e populares. Sem dúvida os programas vespertinos são populares. A minha participação e a participação dos meus alunos no programa Mulheres da TV Gazeta, poderia ser tomado como ponto de partida para percursos alternativos nesta discussão. Nossa participação era sobre ciência, assunto considerado de elite, mas que a audiência adorou, como indica o tempo médio de 40 minutos no ar. Mas se esta audiência "dita popular" aprecia temas "ditos eruditos" não podemos dizer que uma audiência "dita intelectual" aprecia assuntos "ditos populares". Ponto para a audiência popular, cujo repertório é mais diversificado! Mais do que categorizar conteúdos e audiências, precisamos pensar programas provocativos para a pensamento e começar a dialogar de maneira real com a população que passa horas em frente a televisão. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Indigesto mas POTENCIALMENTE instigante

Aqui em casa temos visto a série Breaking Bad na mesma regularidade que os personagens do filme fazem e consomem o cristal azul. Estamos viciados. Os episódios são densos, tratam dos valores politicamente corretos sob uma ótica torta e integralmente reais. Ousa dizer aquilo que ninguém diz. Afinal quais as fronteiras do lícito e do ilícito? Afinal o quanto de maldade existe naturalmente dentro de cada um de nós e o que faz com que usemos ou não esta maldade? As temporadas são artisticamente organizadas (sim, isso é arte) de maneira a causar no telespectador repulsa, curiosidade e "dependência". Assim, ficamos sempre ali a espera do que está por vir. Os personagens são maravilhosos em sua complexidade (e a interpretação dos atores torna a coisa ainda mais bonita). Embora a temática seja indigesta e haja muito sangue e violência, é uma espécie de exercício para o cérebro, ou quem sabe um saboroso alimento. O percurso discursivo é tudo menos linear. O pensamento de quem assiste é convidado a caminhar livre e temeroso pelas cenas em que questões éticas e comportamentais são propostas, como quem caminha em uma casa enorme, cheia de quartos e passagens secretas. A gente nunca sabe onde cada caminho vai dar e quem vamos encontrar pelo caminho. Comentem!!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Livro sobre rádio e ciência

Acabou de sair meu livro sobre rádio e ciência. Quem quiser comprar antecipadamente, vá ao link da editora: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3115
E não se atrase na leitura, porque logo a seguir vem um segundo livro sobre televisão e ciência.
Diz se não é uma bom presente de Natal?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Considerações vespertinas

- Vídeoshow: o apresentador André Marques insiste em chamar sua colega de Japinha. Ruim? Péssimo, nem mesmo sei o nome da moça. Não seria interessante se a cena se desenrolasse assim: -Oi, Japinha.. e ela: -Oi, Bolota, diz aí, o que vai rolar hoje no Vídeo show?
- Jornal Hoje: por favor, exercitem um pouco de espírito crítico! Dona Jorgina, a aposentada que fez um empréstimo consignado e recebe um salário de benefício não tem plano de saúde para colocar na lista de despesas! Parem de humilhar o cidadão expondo geladeiras vazias e fazendo insinuações que nos levam a entender que o brasileiro comum é caloteiro e gastão! Sugestão: um Reality show com um desses repórteres globais vivendo com um único salário mínimo por três meses! Vocês acham que eles pegariam empréstimos? 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Escola X Televisão


A novela é Sinhá Moça, da Rede Globo. Como um professor de história, utilizando um livro didático linear, com aspecto cansado porque trabalha mais de 40 horas por semana, sem nenhum apuro estético para escolher o que vestir, sem trilha sonora, sem cuidado com a linguagem (afinal, está tudo no livro), evitando as emoções....pode ser melhor que uma novela como Sinhá Moça??!!

sábado, 10 de julho de 2010

Jornalismo e vozes


Hoje recebi uma mensagem de um sacerdote que trabalha em Angola reclamando que os jornalistas só garantem visibilidade midiática aos padres pedófilos e que nunca falam sobre os muitos religiosos que dedicam suas vidas pelos menos afortunados. A queixa é legítima e não aconteceria se nos manuais em que os jornalistas estudam o discurso fosse tratado para além do texto escrito. Normalmente as orientações que estes profissionais recebem quanto a produção textual referem-se a clareza, coesão, objetividade...Em outras palavras, pensem no que a Ana Paula faz e façam o avesso! Eu até reconheço que uma informação pode ser entendida mais rapidamente quando disponibilizada em uma frase curta. Observando minha irmã dar aulas de natação, por exemplo, percebo que as informações que ela disponibiliza para os alunos sob a forma de instruções são melhor compreendidas e executadas quanto menor  for o número de palavras que ela usar. Em muitas circunstâncias o excesso de palavras confunde o receptor, que escolhe seguir outros caminhos interpretativos na mensagem. Mas isso não significa absolutamente que o receptor só esteja apto a apreender frases curtas e simples com palavras conhecidas! Tampouco que o jornalista deva ater-se a esse tipo de construção. E de que maneira a análise do discurso poderia ajudar aos jornalistas a saírem dessa pobreza discursiva e quem sabe diminuir a aflição do padre angolano? Penso que é preciso reconhecer a pluralidade de vozes presentes em cada notícia e produzir matérias que possam garantir a materialização de cada uma dessas vozes! Não se trata de dar voz a sujeitos de diferentes categorias, mas de identificar as vozes presentes em cada fala para então não haver uma mensagem uníssona. 

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Avaliando o Mais Você, da Ana Maria Braga

Vamos lá, vamos testar aqui um instrumento para avaliarmos a qualidade de um programa (e não de uma emissora inteira!) a partir do que foi dito no post anterior. Quem quer participar? É um teste. Vou usar os 7 ítens compilados por mim na tese, mas podemos modificar depois. Para sabermos quanto o programa exercita ou não as capacidades elencadas, pensei em trabalharmos com uma gradação: nada, na medida e um exagero. Para inaugurar o instrumento escolhi o programa Mais você, exibido pelo monstro do lago Ness, a Rede Globo. Quando posso vejo a Ana Maria, então, vou avaliar o todo trazido à tona por minha memória de telespectadora. Se fôssemos levar a sério o rigor de uma pesquisa os procedimentos seriam outros. Mas é só para sair do discurso e darmos início a um suposto teste. Então, como é o Mais Você, quanto.... 



Instrumento para reflexão sobre a qualidade de um programa de televisão

Capacidades
Nada
Na  medida
Um exagero
1.Usar bem os recursos expressivos próprios do meio (boa imagem, bom roteiro, boa interpretação);

 X

2.Perceber possíveis demandas da audiência e demandas da sociedade e transformá-las em produtos

 X

3.Aventurar-se quanto ao uso dos recursos de linguagem em uma direção inovadora
 X


4.Promover valores morais, éticos e humanitários, assim como favorecer a apreensão de certos conhecimentos, ao incluir no projeto aspectos pedagógicos e psicológicos do processo ensino-aprendizagem
 X


5.Gerar comoção nacional em torno de grandes temas de interesse coletivo, mobilização e participação


 X
6.Valorizar a diversidade, garantindo a presença de minorias e excluídos, valorizando as diferenças no lugar de uma unidade nacional e padrões de consumo uniformes

 X

7.Oferecer diversidade em seu elenco de programas, favorecendo as múltiplas experiências televisuais. 


 X



3




3




1

E então, concordam ou discordam da minha avaliação? Parece-me que quando há o "nada" ou o "em exagero" é que devemos ficar atentos. Enquanto preenchia o quadro vislumbrei modificações, mas vou esperar que vocês se manifestem. E este resultado nos diz o que sobre o programa da Ana Maria? 

O que seria televisão de qualidade?



Da minha tese, para pensarmos todos. 

"(...) Pensar televisão de qualidade nos desobriga ao juízo de valor de partida, homogeneizando todo o conjunto da obra televisiva sob o estigma da televisão má ou televisão boa, e nos permite redirecionar o olhar para a pluralidade de programas que compõem este promíscuo conjunto, sob novo prisma analítico. Cada programa televisivo pode ser avaliado enquanto produto em suas muitas dimensões processuais, de maneira que o significado da expressão qualidade poderá ter inclusive interpretações muito variadas. Mulgan (apud Machado, 2005) nos estudos dedicados á televisão de qualidade chegou a algumas acepções para o termo, aqui condensadas por nós. Quando declaramos que determinado programa apresenta qualidade, estamos nos referindo a uma ou mais das seguintes competências:

1- Capacidade de usar bem os recursos expressivos próprios do meio (boa imagem, bom roteiro, boa interpretação);
2- Capacidade de perceber possíveis demandas da audiência e demandas da sociedade e transformá-las em produtos;
3- Capacidade especial para aventurar-se quanto ao uso dos recursos de linguagem em uma direção inovadora;
4- Capacidade de promover valores morais, éticos e humanitários, assim como favorecer a apreensão de certos conhecimentos, ao incluir no projeto aspectos pedagógicos e psicológicos do processo ensino-aprendizagem;
5- Capacidade de gerar comoção nacional em torno de grandes temas de interesse coletivo, mobilização e participação;
6- Capacidade de valorizar a diversidade, garantindo a presença de minorias e excluídos, valorizando as diferenças no lugar de uma unidade nacional e padrões de consumo uniformes;
7- Capacidade de oferecer diversidade em seu elenco de programas, favorecendo as múltiplas experiências televisuais.  
Quantos programas de baixo orçamento apresentam falhas na edição, ruídos e interpretações toscas, mas podem ser considerados bons programas graças á autenticidade da linguagem, revelando-se uma alternativa instigante na programação? Em contrapartida, quantos programas com finalidade educativa declarada são produzidos tendo a disposição a última geração em recursos técnicos e um elenco de estrelas, mas ao ignorar demandas da recepção e aspectos pedagógicos relevantes convertem-se em programas ruins, quase desempenhando um papel deseducador? Alcançar bons índices de audiência estaria atrelado a quais dessas dimensões de qualidade?"  


terça-feira, 22 de junho de 2010

A pedidos

Minha tese e a dissertação.

Rede Globo de Televisão, EUA, Schumacher e Eike Batista


É preciso ser incansável para sobreviver e manter o bom humor com a recorrente militância brasuca contra certos ícones de sucesso. A bem sucedida Rede Globo, por exemplo, sempre aparece nas listas de vilãs nacionais. Normalmente quem combate a emissora combate também os EUA, o piloto Schumacher e o industrial Eike Batista, imagens de poder e vigor. Não vou aqui discutir essa estratégia de esquilo na chuva, maniqueísta e simplista, sempre agregando-se aos mais fracos e opondo-se aos fortes. Parto aqui em defesa da Rede Globo e da televisão de qualidade que ela sabe fazer. Quando falo de televisão de qualidade refiro-me ao conceito apresentado pelo British Film Institute,em 1980.Quem quiser saber mais basta ler minha tese . Sou uma telespectadora eclética e determinada, vejo absolutamente tudo que aparece na televisão, pelo menos uma vez, independente de um suposto caráter erudito ou popular. Aliás, os mais próximos acham meu gosto duvidoso, pois aprecio programas de auditório e humorísticos pouco sofisticados. Argumentos tenho muitos, outra hora falo deles. A Rede Globo, além da competência técnica, tem ousado em formatos, abordagens de conteúdos, jornalismo público. Mesmo para aqueles que precisam se contentar com a Globo aberta, é possível ter acesso a programas que apostam em sujeitos pensantes na recepção. O Globo Rural, exibido aos domingos pela manhã, tem reportagens lindas, sensíveis, que nos permitem conexões múltiplas com outros conhecimentos. Nem mesmo a TV Cultura, que teria por princípio exercer o jornalismo público tem conseguido abordar temas na contramão dos interesses de mercado, como a Globo tem feito com eficiência em sua programação. A ousadia ponderada dos produtores e protagonistas globais é a estratégia encontrada por eles para incluir inovações e contribuições de valor social na programação da emissora sem que isso constitua uma quebra de contrato com os patrocinadores.A primeira vez que vi um jornalista perguntar a um cientista de um possível equívoco acerca do aquecimento global foi o jornalista Eduardo Grilo na Globo News! E agora, neste momento tédio de copa do mundo, é possível ver o jornalista esportivo Régis Rösing (o vídeo é um trecho dele) em reportagens que recuperam a história do Brasil pelo viés dos mundiais de uma maneira singular! Quem aí sabia que o primeiro paraquedista brasileiro aprendeu a arte com os nazistas, quando foi "infiltrado" como educador físico da nossa seleção no mundial, objetivando apenas saber como os alemães treinavam seu exercito? Graças ao Régis vou virar perita em Copa do Mundo!Não podemos combater a Rede Globo como se ali só encontrássemos mediocridade e reforço social da miséria da população! O olhar deve ser mais abrangente que isso, por favor.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pode o educativo deseducar?

Do ponto de vista da legislação, um programa educativo seria aquele em que a produção declara a finalidade educativa de seu produto. Além disso, a recepção identifica certos programas como educativos, como é o caso das tele-aulas e os documentários, graças a reprodução de elementos da sala de aula em cena. Há, entretanto, um outro caminho para construrimos uma definição para educativo, deslocado da instância da produção, para as leituras interpretativas dos sujeitos na recepção. Assim, é a recepção que determinaria se um programa é educativo ou não, a partir das aprendizagens desencadeadas pelos produtos. Esta definição, reconhece haver na recepção um sujeito capaz de elaborar o conteúdo a ele ofertado, mesmo que isso ocorra em níveis bastante elementares. O que parece-me um avanço, tendo em vista que muitos programas considerados educativos têm afirmado que a baixa audiência alcançada por eles relaciona-se á incapacidade intelectual e cognitiva do público. Como ocorre na sala de aula, é o aprendiz responsabilizado por não aprender. Além disso, esta definição convida-nos a repensar o papel dos programas televisivos na sociedade, ao assumirmos que todo e qualquer formato e conteúdo encerra uma dimensão educativa (o que aliás está previsto na lei e é condição para que uma concessão de sinal ocorra). Desta forma, nenhum programa poderá se isentar da resposabilidade do imapcto que tem na vida das pessoas, declarando não não ter nem a intenção nem a obrigação de educar, encontrando-se comprometidos exclusivamente com o entretenimento. Cada produção precisa conhecer os conteúdos que dissemina, de maneira a aventar as possíveis leituras e aprendizagens que eventualmente poderão deflagrar e, dependendo do que é percebido neste momento, promover rearranjos nos conteúdos e formatos. Não podemos, por exemplo, para garantirmos uma piada e a audiência, reforçar e disseminar o preconceito com certos grupos da sociedade. É verdade que isso torna o processo de produção mais sofisticado e demorado, mas não o inviabiliza, e os benefícios que teríamos a longo prazo valeriam este esforço. Mas o problema não se encontra apenas nos programas de entretenimento, que rejeitam a dimensão educativa. Se é possível supor que a recepção aprenda algo com os programas que buscam apenas o divertimento, é igualmente e tragicamente suposto que programas educativos possam deseducar. Além de alimentar o eventual desinteresse do telespectador por conhecimentos e pela aprendizagem, ao replicar o tédio da escola no suporte televisivo, alguns programas educativos reforçam aspectos duvidosos do conteúdo ou mesmo disseminam equívocos. Basta ver alguns documentários sobre predadores da natureza para vermos tubarões, leões, e até mesmo delicados micro-crustáceos sendo tratados como feras que matam por mero prazer, verdadeiros assassinos. Se não há garantias das aprendizagens que irão ser empreendidas pela recepção, tendo em vista que o aprender é um processo pessoal, poderíamos pelo menos ter cuidado na escolha do repertório inoformacional que iremos disponibilizar para que os sujeitos sejam incentivados ao pensamento.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Qual a diferença entre Informação, conhecimento e saber?

Assim, J.M. Monteil (1985) dedica-se a distinguir a informação, o conhecimento e o saber. A informação é um dado exterior ao sujeito, pode ser armazenada, estocada, inclusive em um banco de dados; está “sob a primazia da objetividade. O conhecimento é o resultado de uma experiência pessoal ligada á atividade de um sujeito provido de qualidades afetivo-cognitivas; como tal, é intransmissível, está “sob a primazia da subjetividade”. Assim como a informação o saber está “sob a primazia da objetividade”, mas, é uma informação de que o sujeito se apropria. Desse ponto de vista, é também conhecimento, porém desvinculado do “invólucro dogmático no qual a subjetividade tende a instalá-lo”. O saber é produzido pelo sujeito confrontado a outros sujeitos, é construído em “quadros metodológicos”. Pode, portanto, “entrar na ordem do objeto”; e tornar-se, então, “um produto comunicável”, uma “informação disponível para outrem." (Charlot, 2000).

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Sugestão para políticos decentes (logo, sugestão para o vazio...)

As músicas são sem dúvia uma maneira de "iscar" telespectadores. Meu sobrinho vem de onde estiver quando na televisão a músiquinha da propaganda do Itaú começa a tocar: tum- tum- tum-tum-tum-tum..E o pequeno não tira os olhos da tela. Os programas educativos nesse sentido saem em desvantagem, pois com baixos orçamentos (quase sempre...) não podem pagar os direitos de músicas que tenham forte apelo junto ao público e acabam usando temas clássicos. Não que a música clássica não seja adequada, recordemos os desenhos animados da Disney e suas elefantes bailarinas, lindo lindo. Mas uma coisa é você escolher uma música porque combina (na sua concepção) com o projeto. Outra coisa é você selecionar uma música para seu filme por falta de opção. Daí minha sugestão para uma lei. Que tal uma lei que desobrigue produções com finalidade educativa declarada pagar direitos autorais das músicas? Sei que tem muito "Ratinho" por aí que iria querer fazer parte a categoria educativa, isso seria um problema. Mas mais que um problema, seria uma oportunidade para pensarmos a definição de educativo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sonho-surto para 20010: parte I

Pro ano novo, quero um programa de televisão pra mim. Engana-se quem acha que ele vai sar em uma emissora educativa. Pois quero um programa em um canal aberto e popular, um programa vespertino! Quero falar para donas de casa enquanto enxugam as mãos no avental, para o mecânico com as unhas sujas de graxa, pra aposentados e aposentadas enteiadas com programas previsíveis, para jovens de folga da escola! Nada de falar para quem acredita já saber tudo. Já tenho o nome: Tardes Pensantes. Sei que este nome pode afastar parte do público, aquele que só quer o exercício de flanair em estado afrouxado de pensar. Mas dia a dia o programa vai ganhando espaço, até que estes escaldados telespectadores percebam que pensar pode ser bem divertido! Uma tarde inteira de atrações diversificadas, em comum serem instigantes para o pensamento. Cientistas seriam bem vindos, desde que conseguissem sentar no chão "quenem" índio. Aposto que muito pesquisador encarquilhado dos guetos dos seus feiosos gabinetes procurariam o pilates, sonhando serem convidados ao programa. Nada de sofás. Nada de banquinhos altos de bar. Ao vivo, né. Quem sabe onde fica esta imagem na cidade de São Paulo? Muito papo na cozinha, preparando receitas ou saboreando. Já viu programas assim? Claro que já viu. O que faz a diferença são as idéias e as conversas construídas nestas tardes. Que tal com a ajuda de um cartoonista criarmos colaborativamente o perfil de um chato? Pois, serão muitos perfis, são tantos os chatos! Encontrar escolas e professores parceiros, que topem contribuir, que topem desafios...Vamos falar de livros, de filmes, de jogos...e eventos, de pessoas interessantes, conhecidas e desconhecias....Quem sabe um quadro sobre pessoas admiráveis, e totalmente desconhecidas...Não falo de bons samaritanos, mas de gente que tenha uma existência poética...Ai, pode sonhar né...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cop 15 e cobertura Globo News

Parabéns a todos da Globo News que estiveram envolvidos com a cobertura do evento. Os repórteres estiveram fantásticos, boas perguntas, bom humor, inteligência e expressões muito muito longe de lugares comuns. As transmissões via internet ficaram muito boas.
Deu gosto.

domingo, 27 de setembro de 2009

Controle





É muito bacana quando a programação da televisão sofre os impactos das impressões dos telespectadores acerca do conteúdo e da forma escolhido pela produção. Mas o que aconteceu no caso da "propaganda moderninha" das havaianas, suspiro longamente ao pensar na necessidade de controle que a população tem...População do Brasil, conhecida mundialmente por ser livre de tabus....

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Parabéns televisão!

Hoje é o aniversário da primeira exibição televisiva no Brasil, 18 de setembro de 1950.
Não vou dizer se a televisão é boa ou ruim.
Continuo acreditanto na capacidade de interpretar do sujeito na recepção!
Parabéns televisão!

sábado, 5 de setembro de 2009

Que mensagens podemos ler em uma propaganda?


O que podemos "ler" nas campanhas publicitárias do governo para além da mensagem que primeiro nos salta aos sentidos? Há a informação que querem tornar pública, é certo e ainda o desejo de sair bem na fita, de preferência com cara de mocinho da trama. Mas há mais...Nesta produção, por exemplo, podemos perceber a representação do atual governo acerca do professorado brasileiro, tantos são os reforços de estereótipos. Supomos que a mulher em cena seja um professora, parece ser, o traje dela confirma nossa supeita, é ou não é? A infeliz é cafona, a encarnação da professorinha. Ao contentar-se com o reforço de estereótipos, perde-se a oportunidade de construir um novo caminho e dialogar com um número maior de sujeitos. Eu suspeito que muitos realizadores desse tipo de produção sequer alcancem o esclarecimento acerca dos fatos. Limitam sua ação ao alinhamento com o que é politicamente adequado. A campanha da Petrobrás que está no ar no momento é um exemplo disso. Tem como interlocutores além do manjado "negro", um cadeirante e uma mulher obesa. Definitivamente não é assim que estas pessoas conquistam o direito de fala. Este exercício de leitura não é só para as propagandas do governo, é válido para todas produções dessa natureza!

domingo, 21 de junho de 2009

Liberdade de Expressão e vale-alfafa


O diretor Boninho manteve-se por alguns dias na web dizendo o que pensava sobre televisão, em especial o reality show da Record, a Fazenda, mas foi obrigado a deixar a rede, frente a repercussão que vinha desencadeando. Pena né. Era um canal para a interlocução. Ele ridicularizou o Brito Jr. que merece por todos os deuses ser redicularizado, Batman! O próprio Brito Jr. declarou na Folha de São Paulo no domingo que antecedeu a estréia do programa que não ia fazer poesia na Fazenda, em referência ao estilo de Pedro Bial no BBB. Parece-me que ele mesmo abriu espaço para a discussão! E sejamos honestos, o Brito Jr. tem lá competência para poesia? O Pedro Bial pegou uma porcaria de formato que é o BBB com participantes abomináveis e conseguiu dar uma identidade para atração que vai além do reality show, ao incentivar e promover que os participantes mostrassem para além de seus bumbuns! Admito que ainda não vi a Fazenda, mas o farei. Provar para dizer que o gosto não agrada (ou surpreender-se e adorar!), não há outro caminho. Por hora, Boninho, diferente de você, tenho a conta bancária vazia e a língua solta...Ouvi dizer que na Record além de vale transporte e seguro saúde os funcionarios têm o "vale-alfafa"...Quem não concordar, cá estou para dialogar!

Parada gay: festança, promiscuidade e esbanjamento de grana?


Não vi em nenhuma cobertura jornalística da Parada Gay que oferecesse ao telespectador algo além da idéia de festança, promiscuidade e esbanjamento de grana. Todas as reportagens concentravam a atenção no fato do encontro movimentar milhões de reais. E só. Depois, o foco foi o fato de um gay ter sido espancado até a morte. A receita é, antes falamos da grana, depois dos espancados. Não haveria espaço nas coberturas para falarmos de respeito e tolerância pela diferença? Que tal fazer um paralelo entre o movimento na época em que foi idelaizado e hoje, tentando apontar avanços e retrocessos para as pessoas que se sentem diferentes? Quem sabe até o próximo ano haveria tempo para os jornalistas organizarem uma pauta mais crítica e de relevância pra humanidade, né?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Televisão e Sedução

Que tipo de criatura faz televisão sem pensar nas consequências?

"Como não existe entretenimento vazio de conteúdos, de valores, de idéias, é grande equívoco pensar que que as crianças, ao assitir á TV, ao jogar videogame ou até mesmo ao praticar esportes, estejam apenas brincando. Estão- como os adultos- em constante processo de socilaização, de formação, aprendendo, captando, introjetando elementos da cultura na qual estão inseridas." ( O pequeno cientista amador, Denise da Costa Oliveira Siqueira, página 30).

Imagem meu sobrinho Sávio hipnotizado..

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Todos somos responsáveis



Uma das vezes que apareci na televisão, o repórter insistiu para que eu fosse filmada encenando estar envolvida em alguma atividade ou simplesmente contemplando o nada com olhar taciturno. Palhaçada! Não topei, ele ficou nervoso, não entendia como eu podia me negar a seguir o script sugerido por ele. Eu disse, se quiser me filmar enquanto faço algo de verdade, ok, mas não vou fazer nenhuma cena. Até porque ao tentar caí na gargalhada diante da artificialidade da idéia. Eu não fiz, mas muitos fazem, arrisco dizer a maioria o faz. Vemos diariamente cientistas olhando o nada em seus microscópios, psicólogos folheando livros em suas bibliotecas de livors nunca lidos, atletas olhando o horizonte como se avistassem o futuro e o sucesso de suas conquistas. Talvez estes entrevistados sejam melhores atores do que eu, pois algumas vezes até fica bonita a imagem. Mas o que eu quero trazer a discussão com este post é a co-responsabilidade de todos nós com a performance daqueles que fazem televisão, especialmente quando dividimos com estes a cena. Um bom exemplo de como os interlocutores podem interferir na construção do discurso é o redimensionamento que os militares responsáveis pelas notícias da queda do avião Air France obrigaram os jornalistas-abutres a darem ás suas falas. No início, as notícias misturavam especulação com informações oficiais. Mas os militares responsáveis pela comunicação dos fatos corrigiam os profissionais da comunicação ao vivo, dizendo "não, nós não trabalhamos com hipóteses", "não, isso é especulação", "não, a aeronática não tem informaçõe suficientes para fazer esta declaração", "não, isso não foi dito pela aeronática". Ao realizarem seu trabalho os militares deram ainda uma lição de dignidade e respeito aos mortos e seus familiares, revelando que isto estaria acima da possibilidade sedutora de alcançar elevados índices de audiência, ao não revelarem informações que nos levassem a imaginar a tragédia da morte. Ou os repórteres cuidavam das palavras que usavam em suas previsíves perguntas, ou corriam o risco de fazer papel de bobo em rede nacional. Os militares obrigaram jornalistas a assumirem uma postura mais respeitosa e cautelosa ao noticiarem o acidente, simplesmente respondendo com firmeza e rejeitando certas abordagens. Entendo que aparecer na televisão seja um acontecimento e tanto para a maioria de nós mortais, mas espanta-me que o sujeito-entrevistado perca o senso crítico ao colocar-se diante de uma câmera. Espanta-me mais ainda que os responsáveis pela comunicação não se cansem de usar as mesmas receitas de produção de imagem rotas e previsívies desde que a televisão é televisão!

Imagem Louvre, 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

TV Comercial, TV Pública, TV Educativa, TV Brasil


Como alguém se torna "dono" de um canal de televisão (ou emissora de rádio)? Basta ter dinheiro para comprar? Não. Embora algumas vezes vejamos circular na mídia notícias de "compra" de emissoras e pessoas sendo identificadas como proprietárias dos canais de televisão, absolutamente todas as emissoras pertencem ao governo do Brasil. Pois é, os referidos proprietários são no máximo donos dos equipamentos que tornam possível a veiculação do sinal, mas a frequência na qual esse sinal existe pertence a nós brasileiros. Para "existir", então, cada rede necessita de uma autorização, uma concessão pública¹. O que quer dizer que o governo do Brasil concede aquele grupo de pessoas permissão para produzir e enviar seu sinal. Então a pergunta deveria ser, como alguém obtém uma concessão? Há uma legislação para isso e entre outras coisas, todos que têm o privilégio de ter uma concessão comprometem-se com o caráter educativo de suas transmissões. É isso mesmo, fundamentalmente toda televisão é (ou deveria ser) Educativa. Pasmem! Mesmo as chamadas tevês comerciais muito embora não priorizem essa dimensão são inclusive do ponto de vista jurídico educativas. Mas a população desconhece essa informação. Até mesmo nosso beócio presidente ao criar a TV Brasil parece não entender as regras desse jogo. Não bastaria exigir que as emissoras que já existem cumprissem o trato feito na ocasião da concessão? Mas há muitas maneiras de não cumprir as regras parecendo cumprir! Todas as emissoras têm em suas "grades"² os chamados programas educativos. Para vê-los é preciso acordar bem cedo, antes das oito da manhã, horário em que são transmitidos! Dessa forma as televisões garantem o pacote educativo mínimo previsto na lei. Dizem que estes programas não seduzem a audiência, mas são os campeões do horário em que são exibidos. Para mim, trata-se de preguiça e burrice generalizada não assumir o desafio de transferi-los para horários de maior visibilidade ousando novos formatos e novas abrodagens. Valem-se dos caminhos conhecidos e apenas reproduzem a rota e gasta programação! Não estou sugerindo temros Telecurso Qualquer-Grau no horário da novela das oito. Aliás, vamos ser honestos, as teleaulas não deviam existir sequer nesse formato educação a distância, que só servem para mascarar a intenção de formar mal e em larga escala o cidadão brasileiro que não pôde frequentar a escola, minimizando o custo³. É isso. Se alguém conhecer algum aspecto aqui ignorado e acreditar que alguma bobagem foi dita aqui, escreva-me, ficarei feliz de ampliar meus horizontes e dialogar a respeito. Afinal, quem aí já viu a TV Brasil?

1 Por isso algumas rádios sem concessão são consideradas clandestinas ou piratas.

2 Grade devia ser para quem faz estas manobras na lei por pura ambição.

3 Um único investimento em fitas que são reproduzidas, não há necessidade de formar e pagar professores. E temos produções da década de 70 AINDA no ar!

Imagem: Impressionante como essa minha foto de palhaça sempre encontra um post para ilustrar!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O que o seriado House, o Aprendiz e Manhattan Conection têm em comum?

Muito se fala sobre o excesso de violência na televisão. Violência fictícia (?) nos filmes e seriados e violência real, nos telejornais e documentários. Em outro post voltarei a falar sobre violência, sensacionalismo, marcas patêmicas (que explicarei o que é) e índices de audiência. Neste momento gostaria de chamar a atenção para outro tipo de violência, muito comum nos programas da televisão mundial e que a população (de um modo geral...) no lugar de se sentir aviltada por sua presença chega a apreciá-la. Falo de uma violência simbólica que poderia juridicamente ser classificada como assédio moral, e que caracteriza-se por comportamentos hostis e agressivos entre personagens fictícios ou reais. O seriado House e a versão brasileira do Aprendiz apresentam estes traços (para mim, claro!) doentios. Homens considerados poderosos exercem sua autoridade sobre pessoas hierarquicamente inferiores a eles no melhor estilo "sou um trator sanguinolento". E tudo indica que o telespectador gosta disso. As pessoas parecem acreditar que o fato daqueles sujeitos possuírem um determinado conhecimento justificaria e validaria o mau comportamento daquela criatura. Ele pode humilhar, vai, ele sabe o que está dizendo. Não seria possível alguém ser inteligente e ao mesmo tempo generoso e bondoso com os demais? Eu até entendo que algumas pessoas não possuam jeito para ensinar, e só reconheçam como caminho pedagógico o sofrimento e a dor (ou na verdade só consigam fazer dessa maneira...). Mas esta seria uma violência entre desiguais, e o que dizer quando a hostilidade é entre pares, como a que vemos entre os apresentadores do programa Manhattan Conection? Ser agressivo é sinal de inteligência? Por Darwin, Batman, tenho medo do que a humanidade irá se tornar! Até faz sentido, no lugar de dar-te uma dentada eu o humilho até que se urine de vergonha...E os telepectadores acompanham tudo atentamente, o que não é ruim, se houver ali um sujeito interpretante e crítico. Eu não quero educar telespectadores, o que fazer então? Por hora, fica o desafio para Justus e os "gladiadores" do Manhattan, que tal tentar fazer um episódio de ternura sem parecer um bobalhão? Conseguem....ou são incompetentes para isso, hein?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pérolas do programa Hoje em Dia

Esta semana o programa Hoje em dia (Record) apresentou uma matéria especial sobre experiência de "quase morte". Um dos convidados sobrevivera ao incêndio do edifício Joelma, ocorrido em 1974. Ele falou sobre a péssima impressão do barulho dos corpos caíndo daqueles que não resistiram à espera do resgate e lançaram-se ao chão. Os apresentadores, cada um á sua maneira, tentavam obter uma informação mais dolorosa sobre a experiência. "Você ainda ouve os gritos?". "Ainda sonha com o barulhos dos corpos batendo no chão?". A voz era de quem não queria perturbar, a voz de uma "quase amigo". Se não fosse o suficiente para o programa ser classificado como "enojante", interromperam a conversa abruptamente para que o apresentador-chef Edu¹ preparasse uma receita de pudim de café. Terminada a receita, com voz de lobo em pele de cordeiro (seria um bom nome para uma categoria de análise!) ele chama novamente o grupo a cena. Quem produz o programa é mesmo brilhante na disposição das inserções: gente que se suicida em incêndios, pudim de café, barulhos de corpos estourando no chão. A gente até engole o time de jumentos que apresenta o programa e os temas horrendos, mas, por favor, procurem distribuir melhor a pauta para evitar estas combinações esdrúxulas. Por que vocês não seguem aquelas teorias de tensiômetros, concentrando assuntos de elevada carga dramática e deixando temáticas mais leves para aliviar a tensão ao final dos blocos e no final do programa. Tem gente aí precisando estudar!

¹ Aquele que depila os braços por recomendação da produção, tendo em vista o mal estar que causava nos telespectadores a imagem de braços e mãos peludas passando sobre panelas e manipulando comida!

Dos barracos aos documentários

Já era hora de eu criar um blog para falar de um assunto que eu adoro, televisão. De espectadora curiosa tornei-me estudiosa do assunto. E continuo a "consumir" quilos de imagens, sons e idéias através da televisão. Não pensem que concentro minha atenção nos programas considerados sofisticados, produzidos especificamente para a elite. Assisto de tudo, dos barracos aos documentários. Vou ficar feliz se este espaço configurar-se como um local de encontro para quem aprecia televisão. Se você é um tipo nostálgico, não-não, aqui não pretendemos cultivar o passado comparando-o com o presente no estilo "ai, os velhos tempos que eram bons". O passado será muitas vezes lembrado com prazer, mas a intenção sempre será refletir sobre o presente. Aqui queremos pensar uma televisão melhor para o hoje e para o amanhã. Por uma televisão de qualidade é que este blog será cuidado!